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Sol Sertão Online
Colunista
Aprovado para combater ao menos 19 tipos de câncer, o medicamento Keytruda (pembrolizumabe), da farmacêutica americana MSD, tornou-se um marco na medicina ao prolongar a vida de milhões de pessoas. No entanto, o alto valor — que ultrapassa os R$ 20 mil no Brasil — torna a medicação inacessível para grande parte dos pacientes, transformando a sobrevivência em um privilégio financeiro.
Uma investigação internacional revelou que a fabricante utiliza uma combinação de estratégias legais e comerciais para controlar o acesso ao fármaco. Por meio de sistemas de preços complexos e proteções de patentes, a empresa detém o poder de decidir quem terá a chance de lutar contra a doença.
O Keytruda pertence à classe dos imunoterápicos, que estimulam o sistema imunológico a atacar células cancerígenas. O sucesso financeiro é estrondoso: apenas em 2025, o remédio gerou uma receita de 31,7 bilhões de dólares, representando quase metade do faturamento total da MSD. Desde seu lançamento em 2014, a receita global atingiu 163 bilhões de dólares.
Para manter a dominância de mercado, a empresa criou o que especialistas chamam de "fortaleza de patentes". Foram identificados 1.212 pedidos de patente em 53 jurisdições, sendo 88 deles no Brasil. Embora as patentes principais expirem em 2028, manobras jurídicas podem estender o monopólio até 2042, adiando a entrada de versões genéricas mais baratas por mais de uma década.
A disparidade de preços é gritante: enquanto um frasco de 100 mg custa cerca de 850 dólares na Indonésia, nos Estados Unidos o valor supera os 6 mil dólares. Essa realidade empurra pacientes ao desespero, levando centenas de pessoas em 51 países a recorrerem a plataformas de financiamento coletivo ou, em casos extremos, ao mercado ilegal de medicamentos.
A investigação também aponta para possíveis excessos na prescrição. Especialistas sugerem que a adoção de doses baseadas no peso do paciente, em vez de doses fixas, poderia economizar cerca de 5 bilhões de dólares globalmente em 15 anos, sem perda de eficácia.
No Brasil, a dificuldade de acesso resultou em uma onda de processos judiciais. O Keytruda é atualmente o medicamento com o maior índice de judicialização no país, com 6,7 mil ações movidas por pacientes que buscam o tratamento via Poder Judiciário.
Contudo, há uma perspectiva de mudança. O governo brasileiro anunciou recentemente uma parceria estratégica para a produção do pembrolizumabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A transferência de tecnologia para o Instituto Butantan visa fomentar a produção nacional, o que deve reduzir drasticamente os custos e ampliar a indicação do remédio na rede pública. Atualmente utilizado apenas para melanoma, a medicação poderá ser expandida para casos de câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero.
Questionada, a MSD defende que seus preços refletem o valor do medicamento para os sistemas de saúde e os riscos assumidos em pesquisa e desenvolvimento. A empresa afirma investir bilhões em inovação e mantém programas de apoio ao paciente, argumentando que os altos custos finais são influenciados por fatores sistêmicos, como a atuação de seguradoras e intermediários.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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