%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FP%2Fd%2FA3JQMTSnaQgZbuR3Dqxw%2Fadobestock-518967771.jpeg&w=3840&q=75)
Sol Sertão Online
Colunista
Uma substância de origem vegetal, comercializada como alternativa natural, provocou um salto expressivo no número de intoxicações nos Estados Unidos. De acordo com uma análise da Universidade da Virgínia (UVA Health), as chamadas para centros de controle relacionadas ao kratom cresceram mais de 12 vezes em apenas uma década.
Os dados revelam a gravidade da escalada: em 2015, foram registrados 258 casos, número que saltou para 3.434 em 2025, atingindo o pico da série histórica. No mesmo período, as hospitalizações diretamente associadas à substância subiram de 43 para 538. Quando somados os atendimentos por uso combinado com outras drogas, o número de internações passou de 40 para 549. Ao todo, 233 mortes foram relacionadas ao uso do kratom.
Derivado de uma planta do Sudeste Asiático, o kratom contém compostos ativos, como a mitraginina e a 7-hidroximitraginina. Essas substâncias atuam no sistema nervoso central de forma semelhante aos opioides, mas, por agirem em diferentes receptores cerebrais, podem apresentar efeitos tanto estimulantes quanto sedativos.
Os sintomas mais frequentes incluem agitação, taquicardia, sonolência, confusão mental e vômitos. No entanto, quadros graves podem evoluir para dificuldade respiratória, alterações neurológicas, perda de consciência e lesões hepáticas importantes, exigindo socorro médico imediato.
Além da toxicidade aguda, especialistas alertam para o alto potencial de dependência física, similar ao dos opioides tradicionais. Estima-se que mais de 50% dos usuários regulares possam desenvolver dependência grave, enquanto 40% desenvolveriam dependência moderada. A interrupção do uso pode desencadear a síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, tremores, dores musculares e irritabilidade.
O risco é drasticamente ampliado quando a substância é misturada a álcool ou medicamentos. Em 2025, 60% das exposições múltiplas resultaram em consequências médicas graves, com metade dos casos exigindo hospitalização. A interação química potencializa a agressão ao fígado e ao coração.
Nos Estados Unidos, o kratom é vendido em diversas formas, muitas vezes sem qualquer controle de qualidade ou transparência sobre a concentração dos compostos ativos. No Brasil, a situação é de lacuna regulatória, pois ainda não existe proibição nem regulamentação específica para o cultivo da planta.
Toxicologistas defendem que qualquer decisão sobre a legalidade da substância no país deve ser baseada em evidências científicas robustas. Caso os riscos superem os benefícios, a proibição é a medida indicada; caso contrário, a regulamentação rigorosa com controle de qualidade seria o caminho para garantir a segurança do consumidor.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...