Sol Sertão Online
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Nota da Redação: Este artigo é um resumo curado. A reportagem original foi publicada por G1.
O presidente argentino Javier Milei utiliza o slogan "Vamos a hacer grande a la Argentina otra vez" para promover a tese de que existe uma ofensiva global para conter o desenvolvimento do país. No entanto, especialistas, como o sociólogo Rogério Baptistini, argumentam que essa "onda anti-Argentina" é uma narrativa construída para desviar a atenção dos resultados sociais negativos de seu governo, seguindo estratégias de capitalização de ressentimento comuns à extrema-direita.
Esse sentimento de "nós contra eles" foi impulsionado por eventos esportivos, especificamente a Copa do Mundo, onde a derrota da Argentina para a Espanha desencadeou teorias conspiratórias envolvendo a Fifa. Para analistas, a hostilidade observada nas redes sociais reflete mais um desvio de foco e preconceitos contra o estilo de jogo argentino do que um ódio generalizado e real contra a nação.
Historicamente, a percepção de superioridade argentina remete ao período entre 1870 e 1930, quando o país viveu um boom exportador e industrial. Naquela época, a renda per capita argentina superava a de nações como Itália e Espanha, consolidando a imagem de Buenos Aires como um enclave europeu na América Latina e fomentando um sentimento de hegemonia regional e cultural.
Essa construção de identidade também fundamenta a rivalidade histórica com o Brasil, baseada na disputa por influência na região. O embate envolve estereótipos sociais e tensões raciais, frutos de um processo de "europeização" da elite argentina em contraste com a composição mestiça do continente, reflexos que ainda ecoam nas relações bilaterais contemporâneas.
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