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Sol Sertão Online
Colunista
A indústria do tabaco tem utilizado estratégias sutis de marketing para alterar a percepção do público sobre seus produtos letais. Através da chamada Responsabilidade Social Corporativa (RSC), as empresas buscam projetar uma imagem de sustentabilidade e compromisso ético para mascarar os riscos reais à saúde.
Um estudo realizado por pesquisadoras da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da University of Nevada, Reno, e do Instituto de Controle Global do Tabaco da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health revelou que mensagens sobre valores empresariais e integridade tornam as tabagistas mais "simpáticas" aos olhos do público.
A pesquisa, conduzida com mais de 4 mil adultos no Brasil, utilizou uma empresa fictícia chamada “Cruzeiro do Sul” para testar a reação dos consumidores. Os resultados mostraram que participantes expostos a vídeos focados em responsabilidade social passaram a acreditar que os cigarros daquela marca eram menos nocivos do que os da concorrência. Esse efeito, conhecido como “halo de saúde”, foi ainda mais evidente entre mulheres e pessoas que não fumam.
Embora o Brasil possua regulamentações rígidas contra a propaganda e o patrocínio de tabaco, existe uma lacuna jurídica: a promoção da Responsabilidade Social Corporativa não é explicitamente proibida. Isso permite que a indústria utilize pautas ambientais, sociais e éticas como uma forma de promoção corporativa indireta.
Essa estratégia é vista como uma contradição inerente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, é impossível que uma empresa cujo produto causa danos massivos à saúde pública possa alegar, com credibilidade, que protege a sociedade.
O uso do tabaco está associado a aproximadamente 174 mil mortes anuais no Brasil. Especialistas alertam que a falsa sensação de risco reduzido, gerada por esse marketing "sustentável", pode encorajar novas pessoas a experimentar o cigarro ou fazer com que fumantes mantenham o hábito sob a ilusão de que certos produtos são menos perigosos.
Diante disso, pesquisadores defendem a urgência de regras mais rígidas que proíbam explicitamente qualquer comunicação de RSC por parte de fabricantes de tabaco. O objetivo é fechar as brechas regulatórias que alimentam a desinformação e proteger, especialmente, a juventude brasileira contra as táticas de persuasão da indústria.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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