
Sol Sertão Online
Colunista
A inteligência artificial (IA) já é uma ferramenta presente no cotidiano de jovens como Isis Joseph, de 13 anos, que a utiliza para auxiliar em tarefas escolares, obter sugestões de locais para comer e encontrar inspiração para sua poesia. Em alguns casos, a IA é até consultada para orientações sobre questões pessoais. Apesar das preocupações válidas que os pais podem ter sobre a tecnologia, Joseph compartilha uma visão mais otimista: "Acho que a IA é, de modo geral, boa."
A percepção sobre o papel da IA na vida dos jovens revela uma notável discrepância entre adolescentes e seus pais. Dois novos estudos, do Pew Research Center e do Common Sense Media, evidenciam que uma parcela significativa de pais desconhece a extensão e a natureza das interações de seus filhos com ferramentas de IA.
Enquanto alguns usos são considerados triviais, outros envolvem aplicações que poderiam alarmar as famílias. A falta de comunicação aberta sobre o tema em casa é um ponto crítico. Segundo Monica Anderson, diretora-geral do Pew Research Center, "Essa não é uma conversa que esteja acontecendo com uma grande parcela dos pais." Os dados corroboram essa afirmação: apenas 51% dos pais relataram que seus filhos usam IA, em contraste com 64% dos adolescentes que admitem o uso de chatbots.
A Common Sense Media também identificou essa lacuna de informação, com milhões de pais sem plena ciência do que seus filhos estão fazendo em suas telas. Rachel Barr, professora de desenvolvimento infantil da Universidade de Georgetown, considera essa falta de diálogo surpreendente e defende que as famílias abordem a IA em conjunto, em vez de deixar os adolescentes lidarem com ela isoladamente.
Uma das áreas de maior preocupação para os pais é o uso da IA para apoio emocional. Cinquenta e oito por cento dos pais americanos expressaram desconforto com seus filhos adolescentes utilizando IA para suporte emocional, com outros 20% demonstrando incerteza. Contudo, essa prática é realidade para muitos jovens, que relatam usar a IA para obter perspectivas ou conselhos sobre situações emocionais.
Apesar de reconhecerem que a IA pode oferecer um tipo de suporte, os adolescentes demonstram consciência de suas limitações, como a possibilidade de a IA apenas reforçar o que desejam ouvir. Ainda assim, a dependência excessiva de chatbots para aconselhamento ou companhia é uma preocupação, especialmente após casos trágicos de suicídios ligados a conversas obsessivas com IA.
Os estudos também apontam para disparidades raciais no uso da IA para apoio emocional. Adolescentes negros reportam utilizar a tecnologia para esse fim em uma proporção maior (21%) em comparação com hispânicos (13%) e brancos (8%). Pesquisadoras sugerem que adolescentes com redes de apoio menos robustas podem recorrer à IA devido à sua acessibilidade, mas ressaltam a necessidade de mais pesquisas para confirmar essas hipóteses.
Fora do âmbito emocional, os usos mais comuns da IA entre adolescentes incluem a busca por informações e auxílio em tarefas escolares. Eloise Chu, de 13 anos, por exemplo, utiliza a IA para gerar problemas de matemática e praticar para provas. Quase metade dos adolescentes afirma usar IA para pesquisa, com muitos aplicando-a em matemática e redação.
A questão da cola com o uso de IA é um ponto de discórdia. Embora a maioria dos adolescentes entrevistados não admita colar, uma porcentagem considerável (59%) relata que outros alunos em suas escolas utilizam a IA para esse fim, com 34% indicando que isso ocorre com frequência. Relatos de estudantes que copiam integralmente trabalhos gerados por IA e perdem a capacidade de discuti-los demonstram os riscos de um uso irresponsável.
A IA também é utilizada para entretenimento, com adolescentes gerando imagens e outras formas de conteúdo criativo. Este aspecto, juntamente com o uso para fins educacionais, é visto por uma parcela significativa de jovens como "inovador e que deveria ser incentivado", divergindo da visão mais cautelosa de muitos adultos.
Apesar das preocupações, há motivos para otimismo. Os jovens demonstram maior confiança na sua capacidade de discernir entre interações com IA e com humanos, e muitos se sentem confiantes em suas habilidades de usar chatbots. A maioria dos adolescentes não compartilha a visão catastrófica sobre o futuro da IA que assombra muitos adultos, com 36% esperando um impacto positivo em suas vidas a longo prazo.
A recomendação geral para os pais é clara: iniciar o diálogo. Em vez de impor proibições ou repreensões, é fundamental fazer perguntas e demonstrar interesse sobre como os filhos estão utilizando a IA. Essa abertura não apenas aumenta a compreensão mútua, mas também abre caminho para conversas mais profundas e para a identificação de sinais de uso problemático, como discussões sobre automutilação ou crises de saúde mental, que exigem atenção imediata e, se necessário, a busca por ajuda profissional.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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