
Sol Sertão Online
Colunista
Manter vínculos sociais ativos pode ser tão determinante para a qualidade de vida quanto a prática regular de atividades físicas e a manutenção de uma alimentação equilibrada. Segundo o neurocientista Ben Rein, a interação humana ativa sistemas de recompensa no cérebro que promovem benefícios diretos à saúde mental e física.
A conexão com outras pessoas estimula a liberação de um trio essencial de neurotransmissores: oxitocina, dopamina e serotonina. A oxitocina, frequentemente chamada de "hormônio do amor", desempenha um papel crucial na proteção do organismo, auxiliando na redução de inflamações, fortalecendo a função imunológica, auxiliando no crescimento ósseo e combatendo o estresse social.
Por outro lado, a solidão extrema pode ser fatal. Evidências científicas indicam que o isolamento social eleva consideravelmente os riscos de ansiedade, depressão e suicídio. Mais grave ainda, estudos apontam que a ausência de contato humano pode aumentar em 32% o risco de morte por qualquer causa.
Esse processo ocorre porque o isolamento prolongado eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Esse estado crônico torna o corpo vulnerável a inflamações que podem lesionar tecidos saudáveis, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes e demência.
O neurocientista alerta que vivemos em um "mundo pós-interação", onde a automação — como caixas de autoatendimento e compras online — reduziu as oportunidades de contato face a face. Esse cenário foi agravado pelos lockdowns da pandemia de Covid-19, que condicionaram a população a esperar menos interações sociais.
Embora as redes sociais facilitem a comunicação, Rein as compara ao "fast food para o cérebro social": são convenientes e rápidas, mas não oferecem a satisfação biológica e a profundidade do contato real, podendo gerar riscos de depressão semelhantes ao isolamento total.
Para combater a erosão dos vínculos, a recomendação é "elevar" a qualidade das interações sempre que possível. O caminho sugerido é a progressão: trocar mensagens de texto por ligações, ligações por videochamadas e, preferencialmente, buscar encontros presenciais.
O equilíbrio, no entanto, varia conforme a personalidade. Enquanto extrovertidos necessitam de interações frequentes para se manterem saudáveis, introvertidos requerem doses menores, mas ainda essenciais, de socialização. O ponto fundamental é compreender a necessidade individual e evitar a exclusão total do convívio social.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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